O grande segredo acaba por ser não ter nenhum segredo. Quando penso em resumir algo penso no que os meus professores me diziam: “Colocar por palavras tuas o assunto do texto de forma sumária”. De facto parece simples, mas então se eu não perceber nada do que estou a ler, será que as minhas palavras vão encontrar significado.

Mas para que servem realmente os resumos. Em ambiente académico, os professores pedem muito para resumir isto e aquilo, e os alunos normalmente acham uma tarefa aborrecida. Porque será tão aborrecido resumir um texto. Talvez seja porque implica perceber o que estamos a ler, decorar não adianta, copiar muito menos.

PONTOS DE ORIENTAÇÃO
1. Activar conhecimentos de
base do aluno

A ideia de retirar um qualquer texto e pedir simplesmente para o resumir pode representar uma perda de tempo. O ideal é conseguir obter uma linha de orientação, de forma a conseguir os melhores resumos. O aluno tem que se aperceber do tema debatido e de que forma ele se insere na generalidade da Unidade Curricular. Desperta-se o aluno e consegue-se a sua motivação, muitas vezes é muito importante referências como, comparar, evidenciar vantagens, críticas, semelhanças. Desta forma o aluno identifica o que é mais importante resumir. Isto acontece muito na preparação para exames, onde o professor evidencia pontos de importância. Doutra forma será como um jogo de olhar para a imagem durante dois minutos e depois responder as perguntas, a importância pode ser dada a qualquer coisa, podemos estar a contar os objectos da imagem, e no final as perguntas são sobre cores. Resumindo (lá está) será importante conseguir sempre enquadrar o estudo, e se não forem dadas indicações, devemos pensar sobre o currículo geral da disciplina, do tema em estudo, assim como o enquadramento do texto no livro, se for esse o caso.
3. Identificar a estrutura
subjacente de um texto

A primeira leitura é o contacto com o assunto, a segunda leitura já é para evidenciar os pontos mais importantes. Aqui é importante transcrever esses pontos e depois atribuir-lhes uma numeração. Isto é, mencionar este primeiro, depois falar neste, agora comparar os dois, e finalmente apresentar as críticas de outros autores. O principal aqui é clarificar as ideias, o que deve ser e onde deve ser, como se vão conectar esses pontos de forma a dar uma continuidade ao resumo. Isto porque o resumo é um texto a ser entendido por quem o lê, e acima de tudo por quem o escreve. O texto não pode ser um imbróglio de ideias organizadas de forma aleatória.
5. Ordem cronológica

6. Comparar e contrastar
Aqui pretende-se obter as similaridades e as diferenças. Aqui pode-se recorrer ao desenho de um quadro, onde se colocam as teorias e as características, depois é só traçar onde se assemelham e onde divergem.
Na compreensão de um texto obtêm-se a resposta a questões do género: o que acontecia se isto não se verificasse, ou o que muda se determinado ponto for comprovado. Aqui imagina-se uma sequência de balões que ligam num determinado sentido ou noutro conforme a evidência. Isto usa-se muito no diagnóstico médico, são os chamados diagramas de decisão. Onde em função de determinados sintomas o diagnóstico caminha em determinado sentido.
8. Problema Solução
Ao identificarmos uma situação complexa, um conflito seguimos normalmente o processo para a possível resolução. A ideia é idêntica à causa efeito, mas aqui descreve-se o que foi feito para resolver um problema. Quando Arquimedes disse, “Dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu moverei o mundo", estava a apresentar uma solução para um problema, levantar corpos pesados, por isso desenvolveu o método da alavanca e da roldana. Aqui a forma de visualizar será colocar numa tabela os pontos que definem o problema e depois liga-los a possível solução, que descreve uma forma de resolver essas dificuldades.
Identificar que tipo de texto estamos a ler. Normalmente um texto expositivo apresenta uma introdução, uns parágrafos de desenvolvimento e finalmente uma conclusão. Mas por exemplo, em textos políticos ou jornalísticos o início e o fim apresentam os argumentos principais (texto persuasivo). É pois importante perceber como se desenvolve o texto e seguir o seu conteúdo. Por vezes consegue-se as pistas através dos títulos e subtítulos evidenciados. Por exemplo na frase “As teorias que fracassaram”, teorias é o tópico, e fracassaram é uma alegação. Certamente as afirmações nem sempre são tão claras, e podem aparecer no meio do texto. O importante é retirar destas expressões o significado principal. Desta forma conseguimos orientar o nosso resumo para os pontos mais importantes. Aqui é importante o treino na obtenção do que normalmente chamamos “tópicos de estudo”, não é mais do que as linhas principais do texto. Como encontrar essas pistas? O treino é uma questão importante, a experiência. Mas existem algumas técnicas, por exemplo, a primeira e a última frase de um parágrafo estão, normalmente, repletas de pistas sobre o que é importante nesse parágrafo. Palavras a negrito ou itálico, são normalmente pistas adicionais, e é importante sempre investigar. Ainda ter em atenção a repetição de palavras e conceitos, ou a escolha de uma imagem de ilustração.
As analogias são muito importantes para a explicação de conceitos. Por exemplo, ao entendermos uma teoria, a forma como se desenvolve e se enquadra podemos descreve-la através de analogias, como por exemplo, determinado ponto é o coração da teoria, ou o seu pilar, ou mesmo evidenciar que determinada característica manifestou-se como um vírus numa pandemia.
11. Ler várias vezes
Um bom resumo exige pelo menos duas leituras. Uma para obter uma visão geral, e outra para salientar o importante. Assim, para chegar ao núcleo do tema, é necessário ter primeiro uma visão generalizada do texto. Por isso começar a resumir logo na primeira leitura pode colocar alguns problemas, como por exemplo, agrupar características menos importantes, ou não evidenciar pontos centrais. As leituras seguintes servem para estruturar os conceitos e agrupar as ideias. Num texto sobre determinadas teorias, podemos cair no erro de começar a descrever pontos que na descrição geral podem ter pouco significado. A visão geral permite focar pontos que ligam as diferentes teorias entre si e de que forma se enquadram no tema debatido. Isto quer dizer que no final da primeira leitura já nos apercebemos da orientação que o autor deu ao texto, e que pontos, ele próprio, usou para partir para uma descrição mais longa.
Já lemos o texto, já percebemos o que descreve, agora só falta começar a tirar notas. Uma forma de interagir com o texto, ou seja, pensar e escrever sobre o texto de forma a iniciar o processo de construção do resumo. É uma forma de quebrar o texto em pequenos pedaços e procurar todos os sentidos. É como construir uma resposta. Para isso por vezes usam-se notações, como por exemplo, colocar vistos em partes que já percebemos e pontos de interrogação em passagens que ainda não percebemos bem. Aqui tiram-se os primeiros conceitos e separam-se as primeiras "palavras-chave", que entendemos serem essenciais para a elaboração da nossa síntese.
13. Perceber o objectivo do resumo
O resumo é uma forma de obter a visão do autor e dos seus argumentos, não é um espaço para opinião pessoal ou crítica. É um processo de sumarização. Mesmo que por vezes se pergunte, “em seu entender qual é o tema do texto”, o objectivo é sempre a procura do que trata o texto, e por isso a nossa interpretação com base nos factos.
Muitas vezes lemos o texto e achamos que não existe outra forma de dizer o que lemos, o autor diz da melhor forma, para que resumir o conceito. Pois aqui encontra-se outro objectivo, o desenvolvimento do vocabulário, a aprendizagem de conceitos. Ao encontrarmos uma palavra e ao tentarmos descreve-la de forma diferente permite-nos perceber a sua aplicação. Nós interiorizamos os conceitos que repetimos, mas só vamos usá-los se percebermos o seu sentido. Sendo assim, o uso de sinónimos é muito importante. Muitos alunos têm dificuldade em elaborar respostas porque não conseguem fazer a ligação entre o pensamento e a palavra correcta. Esta será uma forma de exercitar essa dificuldade. Exteriorizar a nossa compreensão. Por isso se diz "Resumir por Palavras Tuas". As palavras são nossas, sim, mas o conteúdo deve reflectir as ideias do autor do texto.
Bibliografia
Wormeli, R. (2005). Summarization in Any Subject. Virginia: Association for Supervision and Curriculum Development.
Enviar um comentário